Por Marcos Munoz, Diretor de Produto na Cashin 

Resumo do texto

  • Marcos Munoz, Diretor de Produto da Cashin — fintech de incentivos corporativos residente do Cubo Itaú — analisa como a inteligência artificial está mudando o mercado de incentivos de vendas no Brasil. O artigo aborda: uso de IA no discovery de produtos, redução de lead time na prototipagem, geração de insights sobre campanhas, e o desafio da baixa maturidade de dados nas empresas brasileiras (McKinsey: menos de 1 em 8 empresas executam bem práticas de dados).

 

A Inteligência Artificial vem ganhando espaço em todos os segmentos — e no mercado de incentivos corporativos não poderia ser diferente. Marcado por processos operacionais intensivos e grandes volumes de dados difíceis de consolidar, o setor encontra na IA uma aliada poderosa. Para quem souber aproveitar, claro. 

Melhorias isoladas em comunicação ou em plataformas de engajamento para times de vendas e parceiros são um bom começo para testar a tecnologia. Mas parar por aí é deixar um enorme potencial subaproveitado. 

A evolução da IA aponta para uma tendência clara: campanhas de incentivo vão deixar de operar de forma reativa e passarão a incorporar modelos preditivos. Para quem quer se manter competitivo, a IA precisa ser tratada como um ativo central — capaz de apoiar desde a construção de campanhas mais eficazes até a análise de comportamento dos participantes e o acompanhamento de resultados em tempo real. 

O que muda na prática 

Atuando no desenvolvimento de produtos de tecnologia nesse mercado, tenho visto de perto o quanto a IA acelera processos em diferentes frentes. 

No Discovery. Consolidar dados de pesquisas de mercado, reuniões com clientes, atendimento e suporte, NPS e pesquisas internas era, até pouco tempo atrás, um trabalho extremamente complexo. Hoje, a IA nos ajuda a entender cenários e encontrar caminhos com muito mais velocidade. 

Na prototipagem. O que antes levava semanas agora acontece em horas. Isso reduziu drasticamente o lead time de desenvolvimento, com impacto direto nos custos e na velocidade de entrega de valor ao cliente. 

Na geração de insights. É aqui que o ponteiro realmente se move. A combinação entre nossa expertise no mercado e a capacidade da IA de cruzar dados e identificar padrões nos permite gerar análises muito mais assertivas sobre o desempenho das campanhas. Um exemplo concreto é o Relatório de Tendências 2026: Incentivos Corporativos, mapeado pela Cashin — uma análise aprofundada do comportamento dos participantes que só foi possível nesse formato e nessa velocidade graças à IA. 

O desafio que ainda persiste 

Esse avanço esbarra em um obstáculo estrutural: a baixa maturidade das empresas na gestão de dados. Um estudo da McKinsey mostrou que menos de 1 em cada 8 empresas executam bem as práticas essenciais relacionadas à digitalização e ao uso de dados. Apesar do consenso sobre a importância do tema, poucas organizações conseguem, de fato, extrair valor consistente de suas bases. 

Esse cenário abre espaço para soluções que simplifiquem o acesso a análises e insights — porque muitas empresas simplesmente não têm estrutura interna para consolidar e interpretar essas informações. É exatamente aí que a tecnologia precisa atuar. 

IA para todos os portes — com entradas diferentes 

Para micro, pequenas e médias empresas, a IA funciona como alavanca de eficiência: automatiza processos, melhora o atendimento, facilita vendas, distribui conhecimento e gera insumos para tomadas de decisão com baixo custo e em pouco tempo. É o tipo de ganho que exigia estruturas que essas empresas simplesmente não tinham acesso antes. 

Já para grandes corporações, a IA deixa de ser apenas eficiência e passa a ser fator estratégico de inovação e expansão de negócios. Empresas como Alcoa Brasil, Ethos, Grupo Soma, Linx e Veloe já utilizam a Inteligência Artificial como um braço estratégico de apoio — e os resultados aparecem. 

Na prática, o que vemos é que clientes dos dois perfis conseguem resultados expressivos. O que muda é o ponto de entrada e o nível de complexidade das aplicações. 

Olhar para frente 

Muitas empresas já estão considerando investimentos em projetos com IA para 2026. O próprio Governo Federal anunciou R$ 13,79 bilhões para inovação empresarial com o objetivo de posicionar o Brasil como polo global de desenvolvimento em IA. E o mercado global de IA deve superar a marca de US$ 190 bilhões nos próximos anos. 

O ponto central não é o tamanho do orçamento. A IA não é privilégio de quem tem grande orçamento, é uma vantagem competitiva acessível para quem souber usá-la. 

Empresas com maturidade em incentivos já entenderam que a diferença entre uma boa e uma excelente campanha, muitas vezes, está na execução. E a IA, aliada a modelos de acompanhamento contínuo, é hoje um dos principais fatores que fazem essa diferença. 

Enquanto o mercado ainda testa o básico, a posição mais estratégica é estar uma etapa à frente.